A sombra nocturna
Diria eu que as aves migratórias
voam na Primavera para os recantos íntimos
da memória onde a noite se transfigura de passo
a passo As memórias apagam-se
dando lugar a sonhos inauditos que se consomem
numa leve baforada de cigarro enquanto que a mão
acaricia levemente as pernas macias da mulher despida
As pessoas viajam pelos caminhos subterrâneos
seguem o seu caminhos cabisbaixo
Não se apercebem da nudez geral
nem dos pressentimentos da carne fria que
abutres empalecidos hão-de reclamar
no leve movimento das suas ásperas
penas
A lua mantém-se imóvel e o canto
do corvo é agora a ténue variação da realidade
que possuímos.
Mocidade vencida nos tempos
em que guerrilheiros cantavam García LLorca
para as suas sereias os
Argonautas passeiam por aqui
convencidos do do seu amor
barcos celestiais pairam nos portos aéreos
deixando que as plumas dos seus
sonhos
se evadam pela população excitada.
Chamavam-me duende em jovem
e não ouviam os meus protestos
contra a aragem das tardes de Invernos
nos cais repletos de patos adormecidos
Hoje estou á deriva nos pesadelos mais
obscuros e o lodo gelado ata-me os pés
enegrecidos pelas doenças milenares
As mulheres há muito que partiram
para uma terra inóspita e os cães
ladram em vão
O mar é agora um grito profundo
que me ataca irremediavelmente
e a sua atrocidade é para mim
o mais belo momento de paixão
e amor eterno.
Covilhã
Nelson Luís Ribeiro
voam na Primavera para os recantos íntimos
da memória onde a noite se transfigura de passo
a passo As memórias apagam-se
dando lugar a sonhos inauditos que se consomem
numa leve baforada de cigarro enquanto que a mão
acaricia levemente as pernas macias da mulher despida
As pessoas viajam pelos caminhos subterrâneos
seguem o seu caminhos cabisbaixo
Não se apercebem da nudez geral
nem dos pressentimentos da carne fria que
abutres empalecidos hão-de reclamar
no leve movimento das suas ásperas
penas
A lua mantém-se imóvel e o canto
do corvo é agora a ténue variação da realidade
que possuímos.
Mocidade vencida nos tempos
em que guerrilheiros cantavam García LLorca
para as suas sereias os
Argonautas passeiam por aqui
convencidos do do seu amor
barcos celestiais pairam nos portos aéreos
deixando que as plumas dos seus
sonhos
se evadam pela população excitada.
Chamavam-me duende em jovem
e não ouviam os meus protestos
contra a aragem das tardes de Invernos
nos cais repletos de patos adormecidos
Hoje estou á deriva nos pesadelos mais
obscuros e o lodo gelado ata-me os pés
enegrecidos pelas doenças milenares
As mulheres há muito que partiram
para uma terra inóspita e os cães
ladram em vão
O mar é agora um grito profundo
que me ataca irremediavelmente
e a sua atrocidade é para mim
o mais belo momento de paixão
e amor eterno.
Covilhã
Nelson Luís Ribeiro
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