Paysage
Rosas e cercas pontiagudas são o rosto que embalam num doce momento de ternura ao acordar e permanecem trespassadas por uma guerra subtil ocorrida trinta anos antes. O horizonte desperta o abrigo de girassóis queimados, mãos ásperas e peúgas velhas são putas à frente do cemitério fodendo o tempo e os velhos jornais pisados, atracam âncoras no campo minado e vacas ruminam em telhados Irlandeses como chimpanzés de rabo inchado a foder mulheres pobres e com roupa rasgada electricamente ligadas a agulhas usadas. Pelas ruas lê-se Rimbaud, o poeta, mas todos desconhecem o que aconteceu com o movimento liberal que fora anunciado anos antes, já ninguém se importava grandemente com o protocolo nem com leis, agora apenas o sexo sobrevive em becos e esquinas, na cidade onde o jazz navegava ao lado do perfume, doce constelação utópica.
4\VII \11 (Covilhã) - 2I\IX\11 (Évora)
Nelson Luís Ribeiro
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